Desde a pandemia da Covid-19, o crescimento do e-commerce no Brasil deixou de ser uma tendência emergente para se consolidar como um dos principais vetores de transformação da cadeia logística no país.
Os números mais recentes reforçam essa mudança de patamar. Apenas no primeiro semestre de 2025, o e-commerce brasileiro movimentou R$ 100,5 bilhões, com crescimento de dois dígitos em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). A expectativa é que o ano encerre próximo de R$ 235 bilhões, superando significativamente as projeções iniciais.
Eventos sazonais também evidenciam essa aceleração. Durante a Black Friday de 2025, as vendas online ultrapassaram R$ 10 bilhões em poucos dias, enquanto o “Black November” movimentou mais de R$ 30 bilhões ao longo do mês.
Além disso, o setor de e-commerce fechou o ano de 2025 com 94 milhões de consumidores ativos, um aumento de 3 milhões em relação ao ano anterior. Foram 435 milhões de pedidos online (+5%), com ticket médio de R$ 539, valor 9,5% superior a 2024.
Esse avanço não representa apenas aumento de volume. Ele redefine completamente os requisitos operacionais das empresas.
O e-commerce exige uma logística mais rápida, mais distribuída, mais previsível e muito mais resiliente. No Brasil, onde ainda há desafios estruturais relevantes, essa equação se torna ainda mais complexa.
A pergunta que se impõe para gestores logísticos e decisores é clara: a sua operação está preparada para sustentar esse novo ritmo?
O e-commerce e a descentralização da demanda no Brasil
Um dos principais efeitos do crescimento do e-commerce é a descentralização geográfica da demanda.
Historicamente, o consumo se concentrava nas regiões Sudeste e Sul, com forte predominância de grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro. No entanto, a digitalização do varejo ampliou o acesso ao consumo em todo o território nacional.
Dados recentes da ABComm mostram que o volume de pedidos cresce de forma consistente em estados do Nordeste, Centro-Oeste e Norte. Essa distribuição mais ampla exige uma revisão profunda da estratégia logística.
Agora, não se trata mais de atender grandes centros, mas de atender o Brasil.
Essa mudança impõe desafios importantes, como maior complexidade na gestão de estoques, necessidade de múltiplos centros de distribuição, aumento de custos de transporte em rotas mais longas e maior dependência do modal rodoviário em regiões com menor infraestrutura.
A logística brasileira: desafios estruturais que impactam o e-commerce
Para compreender os desafios do e-commerce no Brasil, é essencial analisar o contexto logístico do país, especialmente sob a ótica de custos.
Atualmente, o Brasil opera com um dos custos logísticos mais elevados do mundo. Segundo estudo do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), os custos logísticos atingiram aproximadamente 15,5% do PIB em 2025, o equivalente a cerca de R$ 1,96 trilhão. Esse percentual representa um aumento relevante em relação a anos anteriores e reflete uma tendência estrutural de pressão sobre a cadeia logística.
Quando comparado a outras economias, o contraste é evidente. Nos Estados Unidos, por exemplo, os custos logísticos giram em torno de 8,8% do PIB, enquanto países como China e México apresentam índices próximos de 14,1% e 13,7%, respectivamente. Ou seja, o Brasil opera em um patamar significativamente mais elevado, o que impacta diretamente a competitividade das empresas, especialmente no e-commerce, onde margem e eficiência são fatores críticos.
Esse cenário é resultado de uma combinação de fatores estruturais.
A forte dependência do modal rodoviário – responsável por mais de 60% do transporte de cargas – é um dos principais pontos de pressão. Apesar de sua capilaridade, o transporte rodoviário apresenta maior custo operacional, menor previsibilidade e maior exposição a riscos, como variações nas condições das estradas e segurança.
Além disso, o transporte, isoladamente, já representa cerca de 8,5% do PIB, sendo o principal componente do custo logístico no país. Outro fator relevante é o custo de estoque, que vem crescendo nos últimos anos e já responde por aproximadamente 5% do PIB, impulsionado, entre outros fatores, por taxas de juros elevadas e pela necessidade de manter níveis maiores de inventário para garantir disponibilidade.
A isso se somam desafios históricos, como baixo investimento em infraestrutura, limitações na integração entre modais (rodoviário, ferroviário e hidroviário), complexidade tributária e custos adicionais relacionados à segurança e gestão de risco.
No setor de e-commerce, esses fatores ganham ainda mais relevância. A necessidade de entregas rápidas, previsíveis e com custo competitivo intensifica a pressão sobre uma estrutura logística que já opera no limite.
A isso se somam questões como segurança no transporte e necessidade de investimentos adicionais para mitigação de riscos, tornando a operação ainda mais desafiadora.
Capilaridade logística: de diferencial a requisito básico
Por isso, a capilaridade logística é hoje um requisito estrutural para sustentar o crescimento das operações. O avanço do comércio eletrônico no Brasil ampliou significativamente a dispersão geográfica da demanda, e a interiorização do consumo exige uma malha logística mais distribuída e adaptável.
Estudos das consultorias McKinsey e Bain & Company apontam que empresas que operam com redes logísticas descentralizadas conseguem reduzir em até 20% os custos de transporte e melhorar significativamente os níveis de serviço, especialmente em mercados com grande extensão territorial, como o Brasil.
No entanto, implementar capilaridade exige uma combinação de fatores estratégicos. É necessário redesenhar a malha de distribuição, definir pontos de estoque regionais, integrar sistemas de gestão e garantir visibilidade operacional ponta a ponta. Além disso, a escolha dos ativos logísticos passa a ter impacto direto na eficiência da operação, considerando localização, acesso à infraestrutura e conectividade com hubs urbanos.
Empresas que mantêm estruturas centralizadas tendem a enfrentar limitações crescentes, como aumento de lead time, custos logísticos elevados e perda de competitividade, especialmente em categorias onde o prazo de entrega é determinante para a decisão de compra.
O impacto dos prazos de entrega do e-commerce na estratégia logística
O prazo de entrega se consolidou como um dos principais drivers de competitividade no e-commerce.
Pesquisas da consultoria PwC e da empresa Salesforce indicam que mais de 70% dos consumidores consideram o prazo de entrega um fator decisivo na escolha de onde comprar, enquanto uma parcela crescente já espera entregas em prazos reduzidos, como next day ou até same day, dependendo da categoria.
Esse comportamento redefine completamente a lógica da operação logística.
Para atender a esses níveis de serviço, as empresas precisam reduzir a distância entre estoque e consumidor final, aumentar a eficiência dos processos internos e investir em inteligência de distribuição. Isso implica uma transição de modelos centralizados para redes distribuídas, com múltiplos pontos de atendimento e maior complexidade operacional.
Além disso, a previsibilidade se torna tão importante quanto a velocidade. Estudos mostram que atrasos ou inconsistências na entrega têm impacto direto na fidelização do cliente e na recompra.
No Brasil, esse desafio é intensificado por fatores como infraestrutura desigual, dependência do transporte rodoviário e variabilidade nas condições operacionais. Isso torna a gestão de prazos ainda mais crítica e exige um planejamento logístico mais robusto.
A transformação dos galpões logísticos
A evolução do e-commerce está redefinindo o papel dos galpões logísticos, que passam a ser elementos centrais na estratégia operacional das empresas.
De acordo com dados da JLL e da CBRE, consultorias globais de inteligência imobiliária, a demanda por galpões logísticos no Brasil tem crescido de forma consistente, impulsionada principalmente pelo e-commerce e pela necessidade de descentralização das operações. Esse movimento também está associado à redução da vacância em regiões estratégicas, como os principais eixos logísticos do Sudeste.
No entanto, não se trata apenas de maior demanda, mas de uma mudança no perfil dos ativos.
Localização passa a ser um fator crítico, com preferência por empreendimentos próximos a grandes centros consumidores e com acesso facilitado a rodovias estruturais. Essa proximidade permite reduzir prazos de entrega e otimizar custos de transporte.
Além disso, cresce a demanda por ativos com maior flexibilidade operacional, capazes de se adaptar a diferentes modelos de operação, incluindo picos sazonais típicos do e-commerce.
Outro ponto relevante é a preparação para automação. Galpões modernos precisam oferecer infraestrutura adequada para tecnologias como sorters, picking automatizado e sistemas de gestão avançados. Isso inclui características como pé-direito elevado, pisos de alta resistência e layouts eficientes.
A eficiência energética e a sustentabilidade também ganham relevância, tanto pela redução de custos quanto pela pressão crescente por práticas ESG.
Com essas características, o ativo logístico deixa de ser apenas um espaço de armazenagem e passa a ser um elemento estratégico para viabilizar eficiência, escala e competitividade.
Tecnologia como elemento central da logística no e-commerce
A complexidade crescente das operações logísticas no e-commerce torna a tecnologia um componente indispensável.
Soluções como WMS (Warehouse Management Systems), TMS (Transportation Management Systems) e OMS (Order Management Systems) permitem maior controle e visibilidade das operações, além de otimizar processos e reduzir erros.
Segundo estudos do Gartner, empresas que adotam tecnologias avançadas de gestão logística conseguem melhorar em até 30% a eficiência operacional e reduzir significativamente custos relacionados a transporte e armazenagem.
A inteligência de dados também desempenha um papel fundamental. A análise preditiva permite antecipar demandas, ajustar níveis de estoque e otimizar rotas, enquanto a automação contribui para aumentar a produtividade e reduzir a dependência de mão de obra intensiva.
Outro ponto crítico é a integração entre sistemas. Operações fragmentadas dificultam a tomada de decisão e aumentam o risco de ineficiência. A integração entre plataformas, incluindo ERP, sistemas logísticos e marketplaces, é essencial para garantir uma operação fluida e escalável.
Além disso, os galpões precisam estar preparados para automação industrial e tecnologias como inteligência artificial e IoT, que começam a ganhar espaço na logística, ampliando a capacidade de monitoramento e otimização em tempo real.
O que sua operação precisa fazer agora
Diante desse cenário, a revisão da estratégia logística não pode ser uma iniciativa pontual e, sim, um processo de melhoria contínua.
O primeiro passo é avaliar se a operação atual está alinhada com a nova dinâmica do e-commerce, especialmente em relação à capilaridade e à capacidade de atendimento em diferentes regiões do país.
Também é fundamental revisar a localização dos ativos logísticos, considerando proximidade com mercados consumidores, acesso à infraestrutura e potencial de expansão.
O investimento em tecnologia deve ser tratado como prioridade estratégica, garantindo visibilidade, integração e eficiência operacional. Da mesma forma, a flexibilidade da operação, tanto em termos de estrutura quanto de processos, se torna essencial para lidar com variações de demanda e picos sazonais.
Outro ponto relevante é a escolha de parceiros e ativos logísticos. Empreendimentos bem localizados e preparados para operações modernas podem reduzir significativamente a complexidade e o custo da operação.
Mais do que acompanhar o crescimento do e-commerce, o desafio está em estruturar uma operação capaz de sustentar esse avanço com eficiência, previsibilidade e capacidade de escala.
Um novo momento para a logística brasileira
A conclusão óbvia é de que o e-commerce está redefinindo a logística no Brasil, e essa transformação ainda está em curso.
Empresas que conseguirem estruturar operações mais distribuídas, eficientes e preparadas para escalar estarão melhor posicionadas para capturar esse crescimento.
A logística não é mais apenas um suporte e ganha espaço no planejamento estratégico como um dos principais fatores de competitividade, e a escolha do ativo logístico certo se torna uma decisão crítica para empresas que atuam no e-commerce.
A Fulwood desenvolve e opera empreendimentos logísticos de alto padrão, com localização estratégica e infraestrutura preparada para atender às demandas de operações modernas, escaláveis e orientadas à eficiência. Para, por exemplo, atender ao setor de Alimentos e Bebidas, cujas vendas online tiveram em 2025 um crescimento de 58% no faturamento em relação a 2024, segundo dados da ABComm, é preciso contar com condomínios “Triple-A”.
Se a sua empresa está revisando sua estratégia logística, buscando maior capilaridade, alto padrão construtivo e tecnologia de armazenamento para acompanhar o crescimento do e-commerce, vale avaliar como ativos bem posicionados podem acelerar esse movimento.
Entre em contato com a Fulwood e entenda como estruturar uma operação mais eficiente, flexível e preparada para os próximos desafios do mercado.